segunda-feira, 6 de setembro de 2010

GRAMA

PUBLICADO EM 27 de maio de 2006

GRAMA

Pois é, GRAMA... Quem me conhece sabe do q eu estou falando. Quer dizer, imagina do q eu estou falando. Pq saber, só mesmo o namoradinho, q já foi lá, e quem trabalha ou já trabalhou neste lugar inóspito...
Eu sempre penso q em toda a minha existência antes de Grama, eu jamais poderia imaginar q um dia iria conhecer e freqüentar um lugar como aquele. Logo eu, uma garota de classe média-média, da Zona Norte do Rio...
Grama é um bairro de Nova Iguaçu, fronteira com Belford Roxo, que fica quase no fim do mundo. Comecei a trabalhar lá, como professora, em 2001. Naquela época, somente a rua principal era asfaltada, e olha q dizem q pouco tempo antes, nem ela tinha asfalto. Tirando ela, todas as outras ruas eram buracos com partes de barro em volta. O ônubus parecia uma máquina de lavar roupa, e nós, passageiros, a própria roupa, de tanto q ele balançava pra um lado e pro outro, devido aos buracos. A única diferença é q, ao invés da água com sabão, tínhamos muita poeira e lama, qdo chovia.
Aliás, vários moradores entravam no ônibus com os pés envoltos em sacos plásticos, pra não sujar os sapatos. E eu só não precisava fazer isso pq descia na única rua asfaltada. Mas isso não significa q meus sapatos não ficassem sujos...
O lugar mais desenvolvido das proximidades, com um "vasto" comércio, era o bairro de Miguel Couto. E olha q hoje já não temos do q reclamar, pois agora há 3 supermercados!, mas só 1 agência bancária, do Bradesco!!!! Mas em 2001, além de 1 supermercado, havia uma feira permanente q era um horror!!! Cheia de comidas e carnes expostas na praça de Miguel Couto, com um fedor horrorozo e um aspecto q nem dá pra imaginar. Aí foi construído um galpão, q eu nuca visitei, e q dizem q a tal feira foi lá pra dentro, mas acredito q tenha acabado. A praça deu lugar a uma rodoviária, bem menos feia. Estou dizendo, o lugar evoluiu muito!!!!
Eu passei 1 ano e meio indo de ônibus pra lá. As aulas começavam às 7:30 e íam até 12:20. Eu saía de casa às 5:30, pegava um ônibus, chegava no metrô pouco antes das 6h, pegava o primeiro trem, ia até a estação final, na Pavuna, e lá pegava o único ônibus q passava em frente à escola, e que levava 1h para chegar ao destino. Isso levava por volta de 2h. Na volta, era só fazer o caminho contrário, porém demorava de 3 a 4h pra chegar em casa. E, na verdade, passam 2 ônibus em frente à escola, porém, o outro vai pro Centro de Nova Iguaçu. O mais incrível era o seguinte: o ônibus de NI passava de meia em meia hora, já o da Pavuna, de 1 em 1h, com exceção da manhã, q tb era de meia em meia hora. Mas com 1 probleminha: todos eram velhos, quase caindo aos pedaços, então eles quebravam com uma certa freqüência. E qdo quebravam, não passavam. Ou seja, muitas vezes, eu chegava na Pavuna e o ônibus não aparecia, pois ele havia quebrado. Então tinha q esperar meia hora por outro ônibus, e chegava atrasada na escola. E pra sair de Grama era pior ainda, pois há, até hoje, hora de almoço dos motoristas. Isso mesmo! Todos param juntos para almoçar, e os ônibus páram de circular por 1h!!!!
E o ônibus pra Pavuna passava até às 12:15, mas a aula acabava às 12:20. Então tínhamos q liberar os alunos mais cedo e sair correndo pro ponto, literalmente, pois o ônibus não ficava nos esperando. O máximo q acontecia era os alunos gritarem pro motorista e para nós e nós saírmos correndo atrás do ônibus.
Porém, se ele passasse antes de nós, ou então estivesse quebrado, só passava outro depois de 1h, mas às vezes, esse tb estava quebrado, então só passava outro depois de 1h30, e eu não podia sair do ponto, pois o ônibus poderia passar a qq momento. Acontece q o tal ponto, nada mais é do q uma calçada com um poste, sem nenhuma cobertura ou local para sentar. Ou seja, ficava pegando chuva ou sol na cabeça, muitas vezes por mais de 1h. Sem falar na poeirada toda na cara. Tudo muito surreal...
A única coisa legal disso tudo, era o tempo q tinha pra conversar com outras pessoas q ficavam lá esperando o ônibus tb.
E o mais engraçado eram meus alunos, q íam pra casa, trocavam de roupa e passavam na minha frente, lá no ponto, me oferecendo carona até MC na carroça deles. Isso mesmo, eu tinha vários alunos com carroças. Aquelas com 1 cavalo puxando um pedaço de madeira com 2 rodas embaixo...
Aliás, volta e meia tb passavam na minha frente grupos de vaquinhas passeando calmamente na estrada, ou cavalos pastando pelas calçadas. Sim, pq nas calçadas há muito mato dando sopa...
Então cansei de passar mais tempo no percurso do q na escola (5 a 6h de percuso, contra 4h de aula) e resolvi, depois de 1ano e meio de sofrimento, q passaria a ir de carro pra lá.
Realmente muito melhor, pois levo 1h pra ir e outra 1h pra voltar. O inconveniente é q não gosto de dirigir...
E o mais esdrúxulo é o q eu já passei com o carro por lá. Vou listar o q mais me chamou atenção, estando de carro:
* já quase fui atropelada por um cavalo em disparada pq um ônibus resolveu businar pra tirá-lo do caminho.
* tb já quase fui atropelada por um grupo de bodes com chifres enormes q resolveram sair correndo pelo meio da estrada.
* já cheguei atrasada na escola pq tive q esperar um bando de vaquinhas acabar de atravessar a estrada, porém elas não estavam com a mínima pressa.
* e a pior história de todas, a q mais me traumatizou, foi qdo eu atropelei e matei um pintinho!!!! Estava a galinha com seus pintinhos atravessando a rua, mas eu não consegui desviar do último, e o pneu pasou em cheio por cima dele. Q horror...
Pois é, eu não podia deixar de falar de Grama aqui. É muito surreal, uma realidade completamente diferente da minha.
Qq dia falo dos meus aluninhos e dos causos q acontecem só lá.

NOTA: NUNCA VOU ESQUECER DAQUELE LUGAR. TENHO MUITAS HISTÓRIAS INACREDITÁVEIS, MAS FOI ÓTIMO COMEÇAR MINHA PROFISSÃO POR LÁ. APRENDI MUITO, COM TODOS!!!

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